Cores e Nomes – Mizrahi Galeria

Chama-se Cores Nomes a exposição que Mizrahi Galeria inaugura no próximo dia 30 de novembro, com 20 trabalhos de sete artistas surgidos nos anos 1970: Aguilar, Áquila, Babinski, Cabral, Granato, Peticov e Tozzi. Com apenas três exceções (um objeto de Tozzi, um de Aguilar e um de Peticov), a exposição consta de pinturas sobre tela realizadas nos últimos dez anos. A contribuição particular desses artistas e de sua geração à arte brasileira foi justamente a retomada da pintura, nos anos 70 e 80, depois de um período em que outras técnicas quase a puseram no ostracismo. Abertura dia 30 de Novembro.

Exposição CORES NOMESAguilar, Áquila, Babinski, Cabral, Granato, Peticov, Tozzi

Texto Critico: Olívio Tavares de Araujo
Coordenação: Mayer Mizrahi
Local: Mizrahi Galeria
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 1326
Tel.:(11) 3222.8695 

Abertura: 30 de Novembro – terça-feira – às 19:30 h.
Período: de 01 a 15 de Dezembro de 2010.
Horário: 2a a 6ª feira, das 10 às 19h.
Sábado, das 11 às 15h.

Cores Nomes, com Aguilar, Áquila, Babinski, Cabral, Granato, Peticov e Tozzi, reúne trabalhos representativos de artistas surgidos na década de 1970, no Brasil, e que na época atuaram como pioneiros da nossa “volta à pintura”. Em 1984, a exposição ‘Como Vai Você, Geração 80?’, na Escola do Parque Lage, no Rio, mostrou que a grande maioria dos artistas jovens a tinham adotado. Em 1985, a 18ª. Bienal de São Paulo (na polêmica sala A Grande Tela) comprovou que a retomada da pintura era um movimento internacional. Os artistas desta exposição são os introdutores desse renascimento, entre nós.

Como argumenta em sua apresentação no catálogo o crítico Olívio Tavares de Araújo, “a busca quase compulsiva pelo ‘novo’ fez com que, ao longo do século XX, estilos, linguagens e técnicas fossem-se alternando a intervalos cada vez mais curtos. Na década de 70, amplia-se o recurso a suportes não convencionais, como o objeto e as instalações, e assumem-se linguagens mais radicais, como a minimal art e a arte conceitual – que dispensava até a produção de um objeto artístico tangível. Contudo, tais vanguardas não satisfaziam a artistas como Aguilar, Áquila, Babinski, Cabral, Granato, Peticov e Tozzi, todos marcados pela necessidade do ofício, pela vontade de se expressar através de um fazer e não só de um pensar. Não ouviram, pois, os cantos de sereias das modas e foram dos primeiros a reeleger a pintura sobre tela como suporte de seu trabalho”.

O título da exposição, Cores Nomes, foi tomado emprestado de um CD de Caetano Veloso, pois o que a caracteriza e unifica é, em primeiro lugar, a alegria de pintar e o cromatismo vibrante que disso deriva. Todas as obras, com exceção das telas de Cabral, são intensamente coloridas. Em compensação, nas telas de Cabral vêm à tona os demais elementos específicos da pintura: o gesto, a pincelada, a matéria (isto é, a quantidade de tinta volumosa e visível). Ao lado do colorido, também se destacam os nomes dos autores, todos representativos de um momento, todos amigos entre si e, hoje em dia, igualmente maduros e ilustres. Portanto: Cores Nomes.

Cinco dos pintores, Aguilar, Áquila, Babinski, Cabral e Granato, criam suas obras ‘alla prima’, ou seja, sem desenhar na tela previamente, sem estabelecer contornos a serem preenchidos. As formas nascem diretamente da luta da tela com o pincel. Em Peticov e Tozzi existe um desenho prévio, mas que no final não fica visível. Por outro lado, cada um se individualiza por suas características próprias.

Aguilar é um reinventa a ‘action painting’ de Jackson Pollock, retomando, mais de 60 anos depois, a expressividade gestual do pintor americano. Também para Áquila o gesto é fundamental. Embora suas obras dos últimos vinte anos acabem sendo abstratas, parece que ele sempre se funda nas formas e estruturas tradicionais da natureza- morta, e acaba sendo possível encontrar em sua pintura sugestões figurativas.

Nos trabalhos de Babinski (que nasceu na Polônia mas está desde a década de 1950 no Brasil), a figuração nasceu ligada à tradição fantástica da arte centro-europeia; mas revela hoje uma liberdade mais expressionista. Deste grupo, Granato é o que possui a pintura mais gráfica, nervosa, rabiscada, trabalhando com pouco volume de tinta. A obra de Cabral é exatamente o oposto, pintura-pintura, pintura pura, cuja matéria-prima é o próprio ato do fazer e os rastros que resultam do processo.

Peticov é, normalmente, um pintor figurativo, que sempre deixa explícitas as sete cores do espectro solar em suas obras; nesta exposição, porém, apresenta uma releitura de uma obra abstrata geométrica de 1976. Cláudio Tozzi, depois de ter sido um dos primeiros pintores absolutamente marcados pela pop art na década de 1970, tornou-se um artista figurativo geométrico, como se vê em sua paisagem urbana que integra esta exposição.

Eis como Olívio Tavares de Araújo conclui sua apresentação: “De vez em quando, fala-se em morte da arte ou de alguma de suas técnicas. Pura bobagem. Há, sim, mudanças de gosto, idas e vindas, ciclos transitórios. Mas o que é perene é perene – e a multimilenar pintura continuará sempre viva e moderna”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: