Jóias da Floresta – Odette Chaves na Arte Infinita

A Arte Infinita Galeria de Arte abre a exposição Jóias da Floresta da artista plástica, Odette Chaves. Com texto crítico de Katia Canton e curadoria de Viviane Teperman, a mostra traz em sua composição uma série de 54 obras, onde a autora retrata pássaros da fauna brasileira. Por meio de tinta acrílica sobre tela, Odette Chaves faz, em sua primeira exposição individual, uma denuncia suave a agressão humana junto a natureza. Com pinceladas curtas e tons harmoniosos, seus trabalhos reproduzem uma natureza absoluta e uma fauna imponente. Abertura 02 de abril.

Exposição: Odette Chaves  – “Jóias da Floresta
Texto Crítico: Katia Canton
Curadoria: Viviane Teperman
Montagem: Dan Fialdini
Abertura: 02 de abril – sábado – das 12 as 17h.
Período: de 04 a 20 de abril de 2011
Local: Arte Infinita Galeria de Arte 
Rua Mateus Grou.629 – Pinheiros
Tel.:11.3032.3151
Horário: 2a a 6ª feira, das 10 às 18hs.
Sábado: das 10 às 14hs
Nº de obras: 54
Técnica: Pintura sobre tela
Dimensão: de 20 x 20 cm a 100 x 80 cm.
Preço: de R$ 800,00 a R$ 2.500,00

Odette Chaves  –  Jóias da Floresta

São mais de cinqüenta telas, todas elas exibindo diferentes espécies de pássaros encontrados no Brasil, na floresta Amazônica, no Cerrado, na Mata Atlântica.

Aparentemente, nada mais tradicional e singelo. E ao mesmo tempo, nada mais ousado em sua própria honestidade.

Uma das características mais interessantes do momento contemporâneo é a possibilidade da convivência de tempos diversos, espaços opostos, sentidos antagônicos. Desde o primeiro momento em que me deparei com as imagens criadas por Odette Chaves fui atraída pela sedução dos contrários. E pela constatação de quão radical pode ser a simplicidade, quando ela é levada até as últimas conseqüências..

A mineira Odette, que junto com a exposição comemora 80 anos, é dona de uma longa história de amor terno com a pintura. Ainda menina, ouvia os ensinamentos da mãe inventiva, que chamava a atenção para que ela percebesse a riqueza das nuances da cor na geografia montanhosa que cercava a família, enquanto seu pai proclamava que a pequena tinha talento de sobra e ainda haveria de tornar-se pintora em Paris.

A profecia paterna não se concretizou. Odette fez-se professora primária e ficou vivendo por ali, mas a arte sempre penetrou as entrelinhas dos traçados de sua vida. A combinação das cores e o sentido de uma certa geometria, ela conquistou com a pintura de ladrilhos hidráulicos, a primeira prática artística que ensinou seu então professor. Também pintou cerâmica e porcelana e, ainda hoje, se põe a envolver seus ovos cerâmicos com cores e traços que ora lembram os antigos ladrilhos, ora bordados mineiros.

Sozinha, de maneira autodidata, Odette aventurou-se a seguir os passos da história da pintura, exercitando geometrismos, pontilhismos, pinceladas soltas. Nunca procurou ser diferente ou radical. Apenas entregou-se a um fazer, verdadeiro, dedicado, tão silencioso quanto constante.

E ai então, tornou-se mestre de uma simplicidade digna e boa de ver.

Seu conjunto de pássaros é assim.

A gente olha para aquelas imagens, cada uma delas pequena e, ao mesmo tempo, majestosa, figuras coloridas, pintadas sobre telas que mantêm seus fundos brancos. Está tudo ali. Tudo emana o trabalho talentoso e amoroso da pintora.

É tudo verdade. É tudo afeto discreto.

Odette Chaves conta que faz muito tempo que retrata seus pássaros. Para pintá-los, usa livros, revistas e fotos de referência do mundo natural.

Cada pequeno quadro é uma homenagem a esses fantásticos animais, essas jóias, como batiza a artista — seres elegantes, leves, ricos de cor e textura, ao mesmo tempo, frágeis, indefesos diante da continua e persistente destruição da natureza pelo ser humano.

Exemplos proliferam:

O passarinho frango d´água, com seu corpo em tons de azul e suas garras elegantes, parece um bailarino posado no galho num arabesco singular. O araçari, com suas listras amarelas, verdes e vermelhas, e o bico enorme e multicolorido, parece sorrir para nós o sorriso de uma sabedoria calma.

A ararinha azul, que já está extinta na natureza e só se encontra em cativeiro, contrasta essa triste situação com a presença majestosa do tom de suas penas, contrastando com seu bico negro e forte. Com seu olhar de lado, ela emana  dignidade.

Em outra tela, três saíras, passarinhos lindos, exibindo suas sete cores, feito exemplares de arco-íris.  O trabalho seguinte exibe o tiê sangue, pássaro de um vermelho sangue forte e elegante, posando no galho com verdadeiro porte de rei.

Quando a gente pergunta para dona Odette se sua paixão são de fato os passarinhos, ela apenas sorri e aponta para outras telas. Pinturas recheadas pela presença de outros animais como a coruja, o mico leão dourado, a onça pintada e ainda outra onça, de pele lisa também estão lá. Tudo que vem da natureza lhe interessa.

Mas é certo que aqui são os pássaros que conduzem a presente viagem. São eles as jóias da floresta, a que o título da exposição se refere.

Cada imagem de pássaro é tão rica em nuances e detalhes, que a gente fica tentando contabilizar o tempo gasto com sua fatura. Imagino uma longa duração, dedicada particularmente à riqueza dos detalhes. Dona Odette, do alto de sua prática acumulada nos anos, sorri novamente. E me explica que gasta cerca de um dia, observando as fotografias e pintando suas pequenas jóias voadoras e coloridas.

Em um momento, do jeito direto e discreto como ela descreve seu ofício, a gente até acredita que isso possa ser fácil assim. Mas só por um momento.

Por fim, descubro que há algo mais, escondido nas entrelinhas desta mostra. O nome da exposição, “Jóias da Floresta”, remete a príncipes e princesas e bosques encantados, aludindo ao universo mágico dos contos de fadas.

E tudo isso não acontece por acaso. Odette Chaves diz que cresceu lendo e se projetando nessas histórias maravilhosas. Quem olha para suas pinturas vê nelas o pequeno segredo daqueles que vivem e se nutrem de encantamento. Afinal, a delicadeza da magia mora mesmo nos detalhes.

Com esse pensamento em mente, olho novamente para o conjunto desses pássaros lindos e coloridos, todos retratados na simplicidade bem acabada das telas em fundo branco. Por um momento, poderia jurar que eles se mexiam, voavam. Até cantavam baixinho.

Alguma coisa assim parecia acontecer, atribuindo vida àquela paisagem acumulada.

Apenas uma sensação, ou um pequeno milagre típico daqueles que testemunham a potência transformadora da arte.

Katia Canton
2011

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