A crise na OSB – Orquestra Sinfônica Brasileira

A crise na OSB – Orquestra Sinfônica Brasileira parece que caminha para um impasse sem precedentes na história da orquestra.

Sábado passado, 9 de abril, em entrevista ao jornal O Globo, o presidente da FOSB – Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira – o economista Eleazar de Carvalho Filho declarou que, para superar a crise estava disposto a conversar com os músicos demitidos. Na quinta-feira passada ele enviou uma carta solicitando essa reunião e segundo suas palavras: “que nunca seja tarde para salvar uma grande instituição”.

São vários fatores preocupantes:1 – Vários artistas de renome internacional já cancelaram suas apresentações com a OSB: Nelson Freire, Cristina Ortiz, o maestro Roberto Tibiriçá e a bailarina Ana Botafogo.

2 –  É importante lembrar que, o Ministério da Cultura já sinalizou que, a orquestra pode não conseguir o aval para novos patrocínios, neste e no próximo ano.

3 – Vários músicos e compositores nacionais e internacionais já manifestaram apoio aos músicos demitidos e a OSB e repúdio ao maestro Minczuk.

4 – O compositor Marlos Nobre escreveu uma contundente Carta Aberta ao Roberto Minczuk (leia no post anterior a esse).

No momento em que a direção administrativa da OSB vê com grande preocupação o desenrolar dessa crise, sinaliza que não quer demitir o maestro Minczuk e muito menos receber de braços abertos os 32 músicos demitidos. Não quer demitir o causador de toda essa crise e também não quer ficar refém dos músicos demitidos.

O concerto da abertura da temporada em 2011, marcado para o sábado à tarde no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Eleazar de Carvalho Filho já sinalizava: “É claro que vai ser uma prova de fogo”. Devido ao desmonte da OSB foi escalada a OSBJ – Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem – e contratados vários músicos extras de São Paulo para preencher e reforçar as vagas de instrumentistas jovens.

A direção só não esperava que seria uma prova das mais difíceis e desagradáveis para o maestro Minczuk. A platéia aplaudiu normalmente quando a orquestra entrou e, dividida, algumas pessoas aplaudiam e muitos vaiavam quando o Minczuk entrou. Devido à tecnologia dos telefones celulares várias pessoas da platéia filmaram e postaram a cena deprimente. Basta consultar o YouTube para ver que, assim que o Minczuk virou para a platéia, vários instrumentistas saíram do palco. Para quem não sabe esse é um tipo de protesto mais desmoralizante que um regente pode sofrer.

Eu fui aluno do maestro Eleazar de Carvalho, pai do economista e Presidente da FOSB, em julho de 1980 tive a oportunidade de reger a orquestra formada pelos alunos do Festival de Campos do Jordão, na qual estava o jovem trompista Roberto Minczuk. Após os ensaios da abertura Os Mestres Cantores de Nuremberg de Wagner, recebi elogios dos colegas, que arrastavam os pés no chão ou batiam levemente o arco na estante, duas manifestações típicas de elogios de músicos. Pude ouvir também do maestro Eleazar: “Obrigado professor Rizzo”. O que era sinal que o meu tempo estava esgotado e devia dar espaço para outro colega.

Posso dizer, com toda a alegria e coração aberto, que não existe momento mais sublime para um músico do que reger dezenas de instrumentistas. A resposta é imediata aos seus gestos e solicitações. Do mais sutil pianíssimo até a explosão de um fortíssimo tudo vem com uma qualidade, uma intensidade e força que você precisa estar muito bem preparado. Aliás o maestro Eleazar exigia nas aulas com o pianista repassador, que nós, seus alunos, soubéssemos as partituras de cor, trabalhar os gestos e as entradas, cortes e todos os detalhes técnicos de regência.

Fico aqui imaginando o que, o saudoso maestro Eleazar diria ao seu filho Presidente da FOSB e ao seu discípulo maestro Minczuk. Provavelmente puxaria as orelhas do filho por permitir tamanho estrago na OSB e recomendaria ao discípulo que pedisse demissão e sugeriria um longo período de afastamento da vida musical brasileira. O que não seria difícil, pois ele é o regente em Calgary no Canadá, onde as condições salariais e materiais devem ser excelentes. Um laboratório perfeito para um regente transformar uma orquestra mediana em excelente. Exemplos recentes nós temos, como fez Simon Rattle na Inglaterra. Sem demissões e constrangimentos. Somente trabalho com muito respeito a todos.

Não vejo outra saída para a orquestra como a reconcialiação sob uma nova direção.

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