Arte Sacra Popular no Museu de Arte Sacra

Galeria Pontes, em parceria com o Museu de Arte Sacra, apresenta a exposição Arte Sacra Popular. Essa é uma das primeiras ações conjuntas da instituição com o segmento de arte popular contemporânea que, diferente da arte sacra erudita, tem sua produção realizada sem técnicas acadêmicas formais, sendo assim marcada pela originalidade e criação de novas linguagens e também pelas soluções encontradas a partir dos recursos disponíveis. A mostra, com curadoria de Edna Matosinho de Pontes, da Galeria Pontes, conta com 40 peças inspiradas na religiosidade em  técnicas variadas, como madeira talhada e esculpida, escultura em barro e cerâmica, pintura e bordado. Abertura: 07 de junho de 2011.

Exposição: Arte Sacra Popular 
Adão, Antônio de DedéAntônio Poteiro, Artur Pereira, Bento
CostinhaFé CórdulaHiginoJoão das AlagoasJosé Antônio da SilvaJosé BezerraMaria do SocorroMestre Dezinho, Naninho
Odon NogueiraTota e Willi de Carvalho

Curadoria: Edna Matosinho de Pontes
Local: Museu de Arte Sacra
Avenida Tiradentes, 676 
Luz – Tel. (11) 56275393 

Abertura: 07 de junho – terça-feira – 19h
Período: 08 de junho a 07 de agosto de 2011
Horário: 3a a domingo, das 10 às 18h
Nº de obras: 40
Técnica: Esculturas em madeira, cerâmica e barro, madeira talhada, pintura e bordado

Galeria Pontes, juntamente com o Museu de Arte Sacra, apresenta a mostra Arte Sacra Popular, reunindo 40 peças em suportes variados, como escultura em madeira, barro e cerâmica, bordado, pintura e madeira talhada.

Com curadoria de Edna Matosinho de Pontes, da Galeria Pontes, a exposição, que abre pela primeira vez as portas do Museu de Arte Sacra para a arte popular contemporânea, traz artistas oriundos da região Nordeste, Sudeste e Portugal.

Na arte popular contemporânea a inspiração fundamental é o cotidiano da região habitada pelo artista, que retrata o trabalho (geralmente atividades rurais), as festas populares e a religiosidade. É a arte inspirada na fé, seja de quem a produz ou de quem a encomenda, o recorte escolhido para Arte Sacra Popular. Sem base num estudo formal, característica que define arte popular, os artistas exibem esculturas de santos, presépios, oratórios e outras representações com a mesma temática, cada qual com sua inspiração, estilo e suporte.

Além dos artistas Adão, Antônio de DedéAntônio Poteiro, Artur Pereira, BentoFé CórdulaHiginoJoão das AlagoasJosé Antônio da SilvaMaria do SocorroMestre DezinhoNaninhoTota e Willi de Carvalho, a exposição traz ainda obras características da temática, com trabalhos de artistas anônimos e seus “ex-votos” (trabalhos artísticos que expressam gratidão a um santo católico por uma graça recebida) e as “paulistinhas” (imagens sacras em barro características da produção de São Paulo entre os séculos XVIII e XIX, de traços simples e sem formalidade na composição).

Os Artistas:

ANTÔNIO DE DEDÉ – Antônio Alves Santos nasceu em 1953, em Lagoa da Canoa, AL, onde vive e trabalha. Faz parte de uma comunidade remanescente de quilombolas. Escultor de madeira intuitivo, apresenta um trabalho rústico com soluções encontradas a partir de poucos recursos, como a imagem da Virgem com o coração trespassado de setas.

ANTÔNIO POTEIRO – Antônio Batista de Souza nasceu em Santa Cristina de Pousa, Portugal, em 1925. Chegou ao Brasil ainda pequeno, morando em São Paulo, Minas Gerais, entre os índios Carajás na Ilha do Bananal e depois radicando-se em Goiânia, GO. Ganhando a vida como fabricante de cerâmica utilitária, seus potes – daí o apelido – passaram a ganhar qualidade artística com o tempo, ultrapassando sua função.

ARTUR PEREIRA – Artur Pereira nasceu em 1920 em Cachoeira do Brumado, MG, e faleceu em 2003 em Mariana, MG. Para ajudar no sustento da família, começou a trabalhar muito cedo em diversas atividades, antes de descobrir seu talento para a escultura. Produziu obras em barro, imagens isoladas em madeira e grupos em monobloco, também em madeira. Entre os temas que mais trabalhou está a liturgia católica, consistindo basicamente no presépio.

BENTO – Bento Medeiros Gouveia nasceu em 1961 no município de Sumé, na Paraíba. Após trabalhar durante anos em São Paulo, retornou a sua terra natal em 2001, quando iniciou seu ofício como escultor, sendo descoberto por artistas paraibanos consagrados, como Chico Ferreira, Miguel dos Santos e Flavio Tavares. Entre seus temas mais frequentes estão as esculturas de santos.

COSTINHA – Costinha, nascido Raimundo Nonato Costa Filho em Teresena, PI, em 1968, começou a trabalhar em 1980, como discípulo de Mestre Dezinho. É especialista em escultura em madeira e seus trabalhos tem o talho característico da escola de Dezinho. Especializou-se na produção de anjos, santos, mas também faz talhas regionais, painéis, baús coloniais, oratórios e gamelas.

FÉ CÓRDULA – Francisco de Assis Córdula nasceu no Rio Grande do Norte em 1933 e reside em Goiás. É pintor, escultor e desenhista autodidata, tendo participado de inúmeras exposições. A questão religiosa é forte na sua pintura e aparece de forma muito própria, com figuras de santos coloridas, alegres, cercadas por anjos, plantas e bichos.

HIGINO – Higino Simplício de Almeida nasceu em 1958, em Belo Horizonte, MG. Foi o primeiro e principal discípulo do grande mestre da escultura em madeira, Maurino Araújo. Aconselhado por Maurino, Higino seguiu seu próprio caminho e se firmou como artista original, com clara inspiração no barroco mineiro e em especial na obra de Aleijadinho.

JOÃO DAS ALAGOAS – João Carlos da Silva, escultor alagoano nascido em 1958 na cidade de Capela, é responsável por recriar o boi do bumba, que representa em grandes peças, com saias esculpidas, contando histórias do folclore, brincadeiras de rua, casamentos e batizados, ou seja, as histórias do povo, de suas tradições e seu imaginário. João das Alagoas é reconhecido em concursos nacionais e internacionais como um dos maiores escultores do país.

JOSÉ ANTÔNIO DA SILVA – José Antônio da Silva, nascido em Sales de Oliveira, SP, em 1909, e falecido em São Paulo, SP, em 1996, começou a ter espaço para criar suas pinturas somente aos 37 anos de idade. Após ter ganhado o primeiro prêmio no concurso da Casa de Cultura de São José em 1946 sua trajetória foi impulsionada. Na década seguinte o artista já participava de Bienais de São Paulo e tinha sala especial na Bienal de Veneza. Além dos costumes e lazeres do campo, retratou em suas obras o universo do sagrado, com santos, crucificações e vias-sacras.

JOSÉ BEZERRA – José Bezerra, do município de Buíque, PE, virou artesão a partir de 2002, esculpindo troncos de árvores caídas, transformando seus troncos e raízes em obras de arte. Em suas obras encontramos figuras humanas, carros de boi, animais e outros elementos que fazem parte do universo sertanejo. Zé Bezerra observa forquilhas e nós da madeira e os utiliza como sugestões para as imagens que esculpe.

MESTRE DEZINHO – José Alves de Oliveira nasceu em 1916 em Valença, PI. Marceneiro de formação, Mestre Dezinho iniciou sua trajetória na capital Teresina, entalhando ex-votos sem cobrar nada por seu trabalho. Esculpiu imagens sacras para a igreja Vermelha a pedido do vigário local, substituindo as imagens de gesso. O regionalismo aparece nos detalhes das saias dos santos, com cajus, folhagens e flores típicas da região.

NANINHO – Martiniano Moreira de Carvalho nasceu em 1962 na comunidade de Bichinhos, pertencente ao município de Prados, MG. Em sua infância, Naninho produzia seus próprios brinquedos em barro. Seu primeiro trabalho artístico foi um Cristo esculpido em uma tora de madeira para a procissão do senhor morto de sua comunidade. O artista prossegue trabalhando com a madeira e com temas inspirados no catolicismo.

ODON NOGUEIRA – Nascido em Bela Vista de Goiás em 1981, Odon Nogueira iniciou sua carreira em 2003, trabalhando em pedra sabão e desenvolvendo temas abstratos. Hoje é conhecido e admirado por suas obras em terracota. No início teve influência de Antônio Poteiro; no entanto, Odon começou a desenvolver estilo próprio, em obras que expressam uma simbologia e uma maneira de interpretar o mundo bastante pessoal e original.

TOTA – Antonio Pascoal Regis nasceu em 1932 na cidade pernambucana de Tracunhaém. Mudou-se em 1968 para João Pessoa, PB, onde faleceu em 2002. Suas peças utilitárias e decorativas eram produzidas com barro colhido das jazidas da região, que ele próprio preparava, pisando e peneirando. Decorava suas peças com esmaltes de tons variados e as queimava em rústico forno a lenha.

WILLI DE CARVALHO – Wellivander de Carvalho é um artista mineiro, que vive e trabalha em Belo Horizonte, MG. Utilizando-se de materiais simples como caixas de fósforos, palitos, fragmentos de espelhos para a criação de obras inspiradas no barroco, nas festas mineiras e no carnaval. Seus presépios e oratórios são muito premiados, bem como suas miniaturas feitas com precisão e habilidade de ourives.

A Galeria – A Galeria Pontes, inaugurada em setembro de 2008, fica em São Paulo, num casarão tombado pelo patrimônio histórico, entre os bairros de Higienópolis e Pacaembu. Em seu acervo estão obras de G.T.O., Mestre Eudócio, Maurino de Araujo, Antonio Julião, Poteiro, Bajado, Waldomiro de Deus, Tota, Adir Sodré, Miguel dos Santos, Sil e outros nomes significativos da arte popular brasileira contemporânea.

Conforme declaração do museólogo e crítico de arte Fábio Magalhães, “A Galeria Pontes dedica-se exclusivamente à arte popular. É o resultado do olhar amoroso, ensolarado de Edna Matosinho de Pontes que percorreu todo o Brasil à procura de peças que expressassem com inventividade a magia do povo brasileiro e a força da nossa natureza. Na escolha dos artistas e das peças, Edna deixou a paixão no comando, mas procurou sempre o horizonte da autêntica criatividade. E assim, com paciência e a necessária obstinação, reuniu um acervo rico e diversificado. As obras são originárias das mais distantes regiões brasileiras – foram produzidas na Floresta Amazônica, no Pantanal de Mato Grosso, no serrado de Goiás, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, no sertão de Pernambuco, enfim, vieram do vasto mundo que compõe o nosso País. O conjunto forma um panorama da alma brasileira, apresenta um Brasil sonhado pelo seu povo, com exuberância, mística e sensualidade. A Galeria Pontes é, em si mesma, ensolarada, um arco-íris. Um espaço de muita vitalidade. Energia que não para de brotar, porque a arte popular é germinal, isto é, plena de vida.”

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