Meu pai

Sinto saudade
de seu olhar alegre
dizendo-me que tudo está bem
porque eu cheguei.

De nossos passeios
pelas ruas da cidade
da conversa sobre as ações
que valorizaram nos últimos dias
os filhos os netos
os bisnetos com sua alegria
presenteados com algo que lhe é caro.

Sinto saudade. 

Almocei com ele esta manhã
e não fiquei sozinho.

Flávio Alberoni Caldas Farias

Saudade doce que dói

Publicado por admin em 30 Out 2008 | sob: poesias

saudade doce que dói
da mesa sempre posta
do bolo-de-fubá
do rocambole
cobertos pela toalhinha de tricô
feitos no velho fogão
daquela humilde casa
do cheiro do café sempre fresco
das xícaras com desenhos delicados
de bruços
lado a lado
do avental sempre limpinho
dos cabelos brancos
presos num coque
caprichado
dos olhos-criança
que negam o brocado do rosto
tão marcado
do sorriso tolerante no
convite carinhoso:
meninos hora do lanche
lavem as mãos
saudade doce que dói
nesta lágrima que me escapa
e repousa
num tempo que não volta mais
dedicado ao meu amigo Armando Fernandes
e a senhora sua mãe

Sandra Falcone
Maio/2007

Melancolia

Publicado originalmente por admin em 15 Out 2008  no antigo blog | sob: poesias

MelancoliaAo me levantar marquei um ponto
dando um sinal
à consciência.Larguei o resto
no rio da vida.Quero apenas este ponto marcado
de todos que adquiri
pois tudo que sobra já não é meu.Nesta marca encontro seu sorriso.
E nesta simples marca
está o mesmo rio
e todo o percurso original.O resto é como algo a ser esquecido…deixo de lado
(como uma veste muito usada)
já não me pertence.Alberoni 10/10/08

Aos Amigos do Portal do envelhecimento

Publicado originalmente por admin em 30 Out 2008 no antigo blog | sob: poesias

Encontrei o meu olhar perdido
esta manhã. Bem de frente
ao espelho
quando penteava meus cabelos.

Ele sorria para mim.

Havia o toque jovial
de antigamente
percebi o tom de gracejo do olhar
brincando comigo
rindo de meu estado cansado logo pela manhã.

Ri-me com ele. Abracei o meu olhar
num grito de juventude
e eu me vi correndo novamente
por um determinado campo
em direção a um certo lago
para um encontro belo e tão pouco lembrado.

Tudo me veio como um golpe de ar lúdico
também querendo brincar.

Parei com tudo e respirei:
Vi meu corpo, vi meus cabelos escassos,
olhei a face emaciada e as rugas
no canto dos olhos.

E vi o jovem dentro de mim
resgatando a vida plena que vivi
gritando orgulhoso por estar assim.

Alberoni 17/10/08

Momentum

Publicado originalmente por admin em 30 Out 2008 no antigo blog | sob: poesias

O vento na janela
sussurra
o verso de entrelinha.
A linha das teclas
ecoa
o barulho da cozinha.
Arrepio de frio.
Chá quente.
Verde,
o chá.
Verde,
a folha de escrever
poemas.

Cris Niederauer

A Dança

Publicado originalmente por admin em 30 Out 2008 no antigo blog | sob: poesias

Olhei nos olhos do dia.
Límpido, compreensivo
Na dança matinal disse
de um brincar de não-pensar.

E como se aprende esse brincar?
Quem sabe dançar sem sonhar,
sem correr, sem desejar?

E mais: quem sabe não perguntar?

Ah! Essa mente tão séria.
Não fosse noiva do tempo
Daria a mão ao espaço
Lugar do riso, do avesso do denso.
Terra de simplesmente existir.
De saber que o lugar é um não-lugar.

Cris Niederauer

Um bom dia

Será um bom dia
Pensa um poeta
ao olhar as folhas
que lhe acenam
do colo do vento.

Será um bom dia
porque olha a estrada
a lhe mostrar que a vida
é só feita de esquinas.

Será um bom dia
Escolhe o poeta
No caldo das horas
sem mexer se faz poesia.

Cris Niederauer

Entradas Mais Antigas Anteriores